Mundo das Trevas

Onde? Como? Quando? Por que?



Este post fala sobre dúvidas de como passar o clima de suspense e mistério para os jogadores, problemas com falta de mão de obra especializada nas narrativas: Narrador. Esse post fala sobre muita coisa, leia se tiver a fim e/ou souber como ajudar. Não é um post de ensinamento, mas de dúvida, é um post de desespero.

Original-fp-addec9e9fffa97b935b8c7aa474a56d5

Despertos, magos, feiticeiros, artífices da realidade, chame-os do que quiser, a verdade ainda é a mesma - são donos do maior poder que o Mundo das Trevas jamais ousou ter - a possibilidade do infinito. Os magos são portadores de uma conexão direta de suas almas com reinos superiores, o que pode fazer deles seres altamente poderosos, as únicas criaturas em todos os jogos de RPG que existem que tem possibilidade de usufruir da tapeçaria do tempo e do destino. Para outros seres, manusear algumas linhas dessa tapeçaria requer conhecimentos e sacrifícios secretos que nunca imaginariam pensar, quanto mais conseguir. Mas mesmo dotados de tamanho poder, os magos não são deuses, muito pelo contrário, eles ainda assim são limitados como todos os seres humanos, podem adoecer, levar ferimentos fatais que outras criaturas encarariam como arranhões, morrerem afogados ou mesmo infecionados por tétano por exemplo. O que eles possuem de fato são possibilidades. Capacidade de chegar ao infinito não quer dizer que eles ja venham com esse poder, apenas podem chegar lá, com MUITA força de vontade, perseverança, trabalho duro, suor de sangue, paciência e muita.. MUITA sorte - sem falar é claro da dádiva de permissão do narrador lol

Mas sério, com um poder assim, o que eles temeriam? Claro, não começam assim, eles tem um início igual a qualquer ser humano do Mundo das Trevas, tendo uma vida normal, com pensamentos normais (ou não) e um dia-a-dia normal, até um dia ser chamado para sua jornada espiritual em uma das torres. Depois, se passar nessa jornada, ele acorda para um mundo de possibilidades infinitas e maravilhosas, mas com um certo limite, claro - fosse contrário seria muito fácil, e quem ja leu o livro, sabe que não é.

Novos poderes, novos pensamentos, novas visões. Mage Sight permite ao mago estudar de certa forma o padrão das coisas, emoções e pessoas (para não dizer várias outras coisas), e o mago como um ser de Sabedoria (ou não) é muito curioso pelo desconhecido, tendo como principal objetivo aprender mais e mais, não em relação a ampliar seus poderes, mas ao aprendizado sobre as coisas do mundo, a magia é apenas um método para chegar lá, e cavar esse conhecimento requer um certo esforço e rotinas clássicas de cada um, seja por estudar o conhecido e o desconhecido ou alterá-lo - conhecimento é poder afinal.

Mas... como manter uma atmosfera de tensão, medo e pavor dessa maneira? Como manter o mistério? O desconhecido?

Um grupo de magos cada um de uma Ordem e cada um de uma Senda pode ser o calcanhar de Aquiles de qualquer Narrador.
"Narrador: ok pessoal, façam um teste de percepção aqueles com o Arcano Espaço.
Jogador 1: tirei 2 sucessos ;D
Jogador 2: 1 sucesso aqui lol
Narrador: Certo... vocês sabes que tem alguém observando vocês, mas não sabem de onde.
Jogador 2: Ok, ativo Mage Sight e com efeito simpático de Espaço, vou rastrear.
Narrador: ok.. 1 sucesso.. você conseguiu, mas você não sabe o que é.
Jogador 2: Ativo Falar com Espíritos.
Narrador: Ok, mas nada acontece, aquilo não é um espírito.
Jogador 2: porcaria.. e agora...
Jogador 1: eu ativo Falar com os Mortos no Jogador 2.
Narrador: ok.. mas.. bem.. também não é um fantasma.
Jogador 1: nem um vampiro ou sei lá?
Narrador: mesmo se fosse, você não saberia, pois você nunca viu um.
Jogador 2: ok, vou estudar a ressonância dele e decorar ela, caso eu concontre alguém com ressonância parecida vou estudar e saber o que é.
Narrador: ta, mas se você não encontrar?
Jogador 2: continuar procurando, falar com o Jogador 1 que tem Biblioteca 5 e pesquisar a respeito até achar.
Narrador: ok.. ok.. ok... deixa eu ver... ahhh, bem, existe poucas coisas nos livros sobre o que estava observando vocês.
Jogador 1: deve ser um espírito do abismo então, a gente ta ferrado. E aí, vamos fazer o que na próxima ficha? Eu to a fim de fazer um Thyrsus!
Narrador: ESQUECE o que eu falei, você não conseguiu ver a ressonância do que estava te observando, nem estudar nem nada!!
Jogador 2: então o bicho é foda mesmo, a gente não pode fazer nada, é continuar a vida agora, se eu morrer, falo um Mastigos da próxima vez, gosto de como eles são manipuladores, me arrependi de não ter começado como um ¬¬
Narrador: PORRA!! ESQUECE TUDO, não tinha ninguém observando vocês, vocês não viram nada, não aconteceu nada.
Jogador 1: ahh.. ok.. então vamos continuar de onde paramos, cadê aquela guria estranha que a gente tava seguindo mesmo!?
Narrador: pra pqp.. bando de jogador noob, affe!! =____=
Jogador 2: nossa.. que foi cara? O que a gente fez? só estamos jogando oõ
Jogador 1: que cara revoltado.. chama a gente pra jogar depois fica com mimimi, pelo menos nos jogos de computador não rola isso..
Narrador: voces não jogam!! não interpretam! os personagens de vocês não tem vida, nem medo, nem nada! Só estão lá existindo e fazendo o conceito de Matéria - ocupando lugar no espaço.
Jogador 2: pow cara, a gente não ta se divertindo tanto, estamos só aqui, li o livro e é muito legal, mas morre lá, você não passa aquele clima que o livro passa, assim fica moh difícil prender nossa atenção..."

Acredito que muitos narradores se frustraram com esse tipo de acontecimento, como passar um clima de suspense, mistério, tensão para quem pode saber o que está acontecendo e até o que vai acontecer? Tenho tido essa dificuldade com meus jogadores. A única tensão que consigo passar pra eles é aquela de quando tem literalmente algo fodão querendo matar eles, mas é coisa de momento, é medo-ação. O suspense ainda é algo incompreensível de passar pra mim. Com o básico do Mundo das Trevas é fácil, pois são seres humanos normais que não sabem de nada nem tem como se defender, o cenário de mago é bem diferente dessa realidade, ao mesmo tempo que bem parecido.

Sei que mago é um jogo de pessoas com uma certa maturidade – aliás, o Mundo das Trevas inteiro é, mas se nós narradores ou jogadores fossemos atrás apenas de pessoas aptas a jogar o jogo com seriedade e interesse no que o jogo de fato é, acredito que todos nós ficaríamos sujeitos a um fracasso iminente de “forever alone” e “cada um no seu quadrado”.

Uma coisa atribuladora pra mim é que jogadores novatos, quando de verdade se encantam pelo RPG, tem uma tendência avassaladora de querer narrar e mostrar aos outros seu próprio universo. Só que jogador veterano algum vai querer jogar o jogo de um novato – o que eles fazem? Vão atrás de novos grupos, com seus conhecidos, amigos e familiares, espalhando as boas novas do RPG. Mas eis um problema – ele não tem experiência nem conhecimento para passar um jogo para outras pessoas. Inúmeras vezes vi pessoas que teriam um ótimo potencial em jogo falarem que não tem interesse em RPG porque já haviam jogado quando mais novos e não gostaram da experiência. Narradores incompetentes – eles estão por todos os lados, chamo gente assim não de narradores, mas de metido a Narradores. Culpa deles? Não. Assim como as pessoas pobres ou violentas de morros e favelas, eles simplesmente não tiveram a oportunidade de aprender. E se tiveram, não tiveram um grupo legal, ou um bom professor. O material não é tudo. Um livro desses como Mago o Despertar, pode ser lido e assimilado de maneira belíssima, porém, se não tiver pessoas com mente pra isso, é como pérolas aos porcos. Como empurrar cultura a quem não quer receber, simplesmente por achar RPG jogo de criança ou de mongoloide. Aliás, eu queria saber quem foi o filha da puta que inventou que Anime e RPG são a mesma coisa e/ou andam de mãos dadas. Isso aos meus ouvidos é blasfêmia, pois todo mundo sabe (deveria saber) que no anime você enxerga e se vicia na histórias de outros. No RPG, você é a história. Existe um salto gigantesco entre as duas coisas.

Mas estou divagando, o fato principal desse tópico é – como fazer pra juntas a bunda de três ou cinco pessoas numa mesa e manter a atenção delas na história, fazendo-a sentir o que quer que sintam? E como ensinar outros narradores a fazer o mesmo? Não estou aqui para aconselhar ninguém ou para ensinar ninguém, estou aqui para pedir ajuda a quem souber ou puder me ajudar, pois tenho me frustrado bastante por não prender a atenção dos meus jogadores nem passar pra eles um pouco do que seus personagens sentem. E eu nem vou falar a respeito de chamar novatos pra esse tipo de jogo. Todo bom novato tem como um dos principais interesses: matar, pilhar e destruir. E isso numa mesa com veteranos... bem... Fora que pelo menos aqui onde moro, veteranos de Storyteller/Storytelling tem como Passa-Tempo acabar com a diversão de novatos, se aproveitando de sua falta de conhecimento e falta de atitude para com o jogo. É carne fresca? Vamos arrancar um pedaço lol
Além do mais, é dificílimo disputar atenção das pessoas com jogos de computador. É você narrador, inexperiente (ou não) contra uma equipe de profissionais especializados na área de jogos. É muito complicado isso, pelo menos na minha opinião. Eu estava conversando com a MC Zanini outro dia e falando pra ela que deveria existir um curso para Narradores, para saber chamar e entreter o público com suas histórias. Não vejo o RPG como uma coisa de grupo seleto de poucas pessoas, gosto de ver com Sentidos de Mago, RPG pra mim é um universo de possibilidades e ensinamentos novos, pronto para serem explorados e conhecidos, mas pouquíssimos tem algum domínio sobre o assunto, e menos ainda tem tempo e boa vontade para espalhar esse conhecimento para novas pessoas, ou mesmo para antigas.

RPG pra mim é arte, é cultura, não simplesmente diversão. O conceito de arte que eu tenho é o de sentimento e de aprendizado. Saber entreter as pessoas sem passar mensagem alguma (ou até passar mensagem, mas essa não fazer sentido ou ser irrelevante pra vida das pessoas – vide Restart/Justin Bieber na música – não ensinam nada, apenas mostram como é gostoso estar apaixonado, coisa que qualquer retardado de 15 anos já sabe) é muito idiota! Seja na música, em filmes, esculturas, teatro ou RPG, pra mim deve também passar uma mensagem de aprendizado, não apenas entretenimento. Afinal, ninguém é inteligente o suficiente que não possa aprender, nem burro o suficiente que não possa ensinar. Todo conhecimento ainda é um conhecimento, e vocês sabem, estamos falando de Mago o Despertar, tem um atributo bem legalzinho à direita um pouco abaixo, chama-se Sabedoria. E quem leu o livro, sabe que quanto mais alta a Sabedoria do Desperto, maior sua tendência em virar professor.

Concluindo,  se alguém souber por onde devemos começar a procurar por essas respostas, por favor me diga. Estou desesperado a procura disso.

abssyntho

aproximadamente 1 ano
Minimum-fp-dd922ddf3fa66cd7ca1e62528a20d14b

Essa é uma dúvida recorrente de todos os Narradores de horror que conheço, e não só de Mago. A questão do clima é sempre delicada e não existe uma fórmula para fazer a coisa funcionar. Cada grupo possui um estilo próprio e ajuda muito conseguir ler as intenções dos jogadores antes da partida. Se isso não for possível, o jeito é conversar com todos e chegar num consenso sobre a história que desejam contar.

Uma coisa que aprendi com muito tapa na cara é que não adianta preparar a melhor crônica de horror do universo se o que os jogadores querem é chutar traseiros. Se isso acontece há duas opções: 1) Dê o que estão querendo ou 2) Procure outro grupo. Se escolher a primeira, eles ficam felizes mas você vai (ou pode) se frustrar. Se escolher a segunda você fica feliz, mas eles é que se frustrarão.

Não há um jeito fácil de fazer nenhuma das duas coisas, mas a opção 2 é sem dúvida bem drástica. Não significa que você deva abandonar seu grupo de jogo convencional, mas sim procurar alternativas. Fiz isso durante um tempo e foi uma experiência positiva.

Agora, supondo que o problema não sejam os jogadores, mas o Narrador – no caso dele não conseguir evocar o tema – aí o buraco é mais embaixo. Neste caso, a única maneira de adquirir o timming do horror é narrando. À medida que novas histórias são contadas você aprende a perceber o momento certo para lançar aquele gancho ou dar aquela reviravolta na história.

Mifael

12 meses
Minimum-fp-07ed9b506efadd206dedea66cb0e8ad9

Olá, em primeiro lugar gostaria de te parabenizar pela ótima iniciativa. A tua frustração é parte do que ja foi a minha em seguida que comprei os livros. Eu não consegui imprimir o novo clima do Vampiro e muito menos do Mago (os dois que tentei narrar primeiro). Era muito frustrante pois aconteciam coisas parecidas com o que tu descreveu comigo. Bem eu pensei! Para tudo! Porque eu não estou conseguindo passar o Tom da crônica como é passado no livro.

Bem o que eu conseguir ver é que os meus jogadores eram jogadores de Vampiro - A Mascara e Mago - A Ascensão. Então não é só eu que estava passando um tom ruim, mas as expectativas dos meus jogadores eram voltadas ao tom do sistema antigo.

Uma vez feito essa descoberta nós instituímos mais algumas perguntas antes de fazer uma ficha para uma crônica.
Por exemplo:
*Quais são as coisas que o personagem considera como parâmetro de realidade?
*Quais são as frustrações e quais são os medos?
*Que tipo de desafio a Crônica deve trazer?
*Deve ser do estilo terror ou mais estilo aventura? (apesar do tema e tom do Storytelling ser Horror pessoal).

Bem, acho que conhecer o que diverte e o que assusta os seus jogadores e de que forma é o principal para começar, as vezes isso demora a acontecer, não vai ser na primeira mesa. Mas se tu conseguir parametrizar algumas coisas vai começar a fluir o tom desejado na mesa.

Uma vez eu fiz uma crônica com Zumbis e os personagens eram humanos normais do MdT. Houve muita controvérsia, pois 2 dos 4 jogadores tinham combinado um combo social muito legal para suas fichas. Mas zumbis não são muito sociais. Rolou uma frustração. Porem admito que a culpa foi minha porque no prelúdio da crônica eu anunciei que ia ser uma crônica de sobrevivência, eu não quis detalhar muito para manter o suspense e acabou rolando uma frustração.

Acho que no final se você fizer uma mesa ou duas para satisfazer o que os jogadores querem e fizer eles terem um pouco de amor pelos personagens criados, algo do tipo agora eu sei o que ele pode fazer... Antes de sair metendo dificuldades pelo caminho deles você vai conseguir desenvolver seu Tom e o tema que você propôs de forma mais fácil.

Veja que o grande problema é o desapego por personagens que ainda não fizeram nada de muito concreto, não conseguiram atingir nenhum mérito então quando vem a primeira dificuldade eles desistem dos personagens. Outra coisa que passei a usar e não usava antes são Fotos, desenho, mapas, musica de fundo. Musica para Batalhas, musica para suspense etc. Para dar mais clima ao que está acontecendo. Ainda dentro desse tipo de coisa, mesas em lugares diferentes. Por exemplo uma mesa em um lugar publico (seguro) quando os personagens estão investigando algo, eles ficam menos confortáveis e acabam entrando no clima. Mesas em lugares fechados, ações onde a interpretação é necessária para interações mais fortes. Pois em lugares mais reservados os jogadores ficam mais concentrados e menos inibidos a Interpretar. Tudo isso ajuda no clima. Ja mestrei uma perseguição dentro de um carro para os personagens sentirem o clima da mesa no tom certo (indo para uma lanchonete comer algo no meio da madruga).

Bem acho que é isso. Espero ter ajudado tanto a você que fez esse post desabafo quanto a outros que eventualmente possam estar lendo aqui. Qualquer coisa me mandem e-mail para trocarmos idéias.

Abraços
Mifael Guimarães Moraes

rjunior

9 meses
Minimum-fp-c9e47161569bd1e8e44c6d7cc7662be1

Dicas rápidas da minha experiência pessoal.
Aprendi a narrar por mim mesmo, lendo e narrando. Tentativa e erro. Não recomendo essa opção.
Basicamente, se vc quer melhorar sua narrativa, experimente jogar com um narrador cuja narrativa vc gosta, e, então, quando for sua vez de narrar, tente imitar o cara.
Por outro lado, vc pode ler livros com uma narrativa que vc acha interessante, e tente imitar também!
Mais uma opção: assista filmes do tema ou tom escolhido e, enquanto assiste, vá narrando a cena pra vc (em pensamento, para não ficar chato pra quem está ao seu redor). Como vc descreveria as cenas que está assistindo no filme?
Outra: escreva. Imagine as cenas que vai narrar e descreva elas, escrevendo, da melhor forma que puder. Claro que na hora de narrar pra trupe a coisa será bem diferente, e vc terá de ter a flexibilidade pra adaptar a coisa toda, mas aí já terá uma base, uma noção.
Mas a melhor opção é, como disse um dos colegas acima, narrar. A experiência é a melhor mestra. Veja o que dá certo com o grupo e o que não dá, mas não ache que o que eles querem é o que vc tem de dar. Vc se adapta a eles, e eles se adaptam a vc.
Para fazê-los se adaptar a vc, vale as dicas que o caríssimo colega disse logo acima. Manipule o ambiente. Música, lugares, fotos... tudo isso ajuda. Só lembrando de q isso são ferramentas, e não objetivos em si.
Aconselho ainda a servir de exemplo. Em cenas sérias, não faça piadas ou brincadeiras. Leve a coisa toda mais a sério. Se vc para de rir, os jogadores logo logo também pararão. É claro que um "por favor, vc está atrapalhando o jogo, deixe isso para outra hora" também funciona.
Só não se esqueça de liberar o humor nas horas certas (como nos intervalos, por exemplo).
Mas a ideia do curso para Narradores é boa.
Parabéns pelo artigo.

J_N

6 meses
Minimum-fp-653ba65b6e337ccc6f7afcbfba4abbfe

Tá certo, é dificil. Más MoD é um jogo sobre sabedoria. Grandes poderes exigem grandes responsabilidades. Se preocupe mais com isso no final. No final é isso que deveria nortear suas histórias. Cada jogo tem seu tema e tom particular. O de Mago é "o poder corrompe". Não quer dizer que outras alternativas não devam nem possam se tentadas. Quer dizer que ele funciona melhor assim.

Se ficar tão preocupado assim com o clima do jogo, vais acabar deixando o principal de lado, a história (o enredo). O Tema e principalmente o clima (ou Tom) que você tanto fala são muito efêmeros para conseguir invocá-los com prestreza a cada sessão. E se o fizer, cedo ou tarde seus players vão se anestesiar. É como andar com Mage Sight ativado a toda hora; uma hora voce não vai saber a o que REALMENTE vale a pena prestar atenção. O Tom numa partida de Storytelling é como uma bisnaga de catchup e o enredo é como uma pizza; até da para comer o enredo sozinho(pizza), más só o tempero que é o Tom (catchup) não dá. Ok, a comparação acima pode ter sido meio infeliz, más se preocupe primeiro com o enredo e talvez o Tom venha. Se preocupe demasiadamnete com o Tom e nem vem o Tom nem o Enredo.

Outra coisa. RPG é arte sim, e por isso mesmo não tem compromisso algum com o ambiente externo. A arte apenas é. Ela não deixa de ser aquilo porque a pessoa x pensa assim. Sendo assim o que muda não é a arte, e sim a percepção da pessoa. Se quiser, a arte move a pessoa e não a pessoa move a arte. Sendo assim, o RPG não tem compromisso algum em passar qualquer mensagem ou moral ao final da sessão ou crônica. O que não significa que não possa/consiga fazê-lo. Eu pessoalmente não usaria esse poder (de narrar bem e influenciar a visão das pessoas) de forma tão vil (sutilmente criar um 'progron' para adaptar uma idéia de outra pessoa para minha visão pessoal. Lembre de MoD, 'não é porque pode fazê-lo que têm que fazer). Se o fizer, pode acabar tendo que sacrificar uma boa história e um enredo realmente vanguardista em troca de conseguir a atenção de seus jogadores para um assunto externo a mesa. Deixe isso para os filmes caça-níquies, os livros de auto-ajuda, os blogs definidores de opiniões e os programas de auditórios dominicais.

Abssyntho, ainda acho que tem um meio termo para sua primeira dica: seja sincero e converse com seus players para achar um ponto de equilíbrio. Os própios livros cenários nos ensinam como. Isso é mais focado no VoR más todos tratam desse problema em maior ou menor grau..

P.S: sei que meus posts são excessivamente longos, mais em geral só consigo me explicar assim. Em minha defesa, digo que pelo menos li os posts de todos antes de escrever algo.
P.S 2: Que falta faz caracteres HTML ou ao menos a formatação do Word para uma maior compreensão dos leitores.
/)